Asma grave, ou asma grau 4, é a forma mais agressiva da doença
inflamatória crônica das vias aéreas. O pulmão do asmático é diferente
de um pulmão saudável, como se os brônquios dele fossem mais sensíveis e
inflamados - reagindo ao menor sinal de irritação.
Se pensarmos em uma pessoa sem a doença, ela sofrerá uma falta de ar
quanto estiver exposta a grandes irritações, como a fumaça de um
incêndio. Diante desse quadro, o organismo da pessoa identifica os
agentes irritantes e faz com que a musculatura que existe em volta do
brônquio se contraia, fechando o órgão e impedindo que o ar contaminado
entre nos pulmões. O mesmo processo acontece com um paciente que tem asma,
só que os gatilhos para causar uma irritação nos brônquios são bem
menos intensos do que a fumaça de um incêndio como, por exemplo, uma
simples poeira.
Asma é uma das condições crônicas mais comuns, acometendo cerca de 235
milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial de
Saúde. Estima-se que, no Brasil, quase 40 milhões de pessoas convivam
com a asma.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, cerca de 10 a
15% dos pacientes com asma grave não conseguem controlar a doença com
medicamentos convencionais, que são mais eficazes àqueles que apresentam
os tipos leve e moderado. No Brasil, os asmáticos graves chegam a
procurar 15 vezes mais hospitais do que os outros pacientes, e são
hospitalizados 20 vezes mais.
Para classificar a gravidade da asma, o médico considera a análise
clínica juntamente com os resultados dos exames. Determinar o quão grave
é a asma auxilia o médico a escolher o melhor tratamento. Além disso, a
gravidade da asma pode alterar com o passar do tempo, necessitando um
reajuste da medicação.
Na asma, brônquios se contraem para impedir que agentes irritantes invadam os pulmões
Não se sabe exatamente o que provoca asma grave, uma vez que cada pessoa
apresenta uma sensibilidade a gatilhos diferentes. Dessa forma, é
importante entender o que causa os ataques de asma e tentar reduzir a
exposição a esses agentes ou buscar tratamentos mais adequados. Aqui
estão os gatilhos mais comuns da asma:
Substâncias e agentes alérgenos
Cerca de 80% das pessoas com asma sofrem crises quando expostas a alguma
substância transportada pelo ar, como ácaros e poeira, poluição, pólen,
mofo, pelos de animais, fumaça de cigarro e partículas de insetos.
Substâncias químicas como tinta, desinfetantes e produtos de limpeza
também podem desencadear uma crise. Quando aspirados, esses agentes
podem irritar os brônquios, levando a uma crise. Infecções virais, como o
resfriado comum ou a gripe, também constituem causa importante para o desencadeamento de uma crise de asma.
Alergias alimentares podem causar crises de asma grave. Os alimentos mais comuns associados com sintomas alérgicos são:
Alguns conservantes e aditivos acrescentados dos alimentos industrializados também podem desencadear uma crise de asma.
Asma induzida por exercício
É um tipo de asma desencadeado por exercício ou esforço físico. Muitas
pessoas com asma experimentam algum grau de sintomas ao praticar
atividade física. No entanto, existem muitas pessoas sem asma
diagnosticada que desenvolvem sintomas apenas durante o exercício.
Inclusive, alguns atletas podem apresentar essa manifestação da doença.
Com asma induzida por exercício, o estreitamento das vias aéreas tem um
pico de cinco a 20 minutos após o exercício começar, o que dificulta a
retomada do fôlego. Seu médico pode lhe dizer se você precisa usar um
broncodilatador antes do exercício para evitar os sintomas incômodos.
Asma ocupacional
A asma ocupacional é um tipo de asma que resulta de gatilhos no ambiente
de trabalho. É muito comum em pessoas que trabalham em usinas ou
expostas a agentes químicos, tinturas, agrotóxicos, etc. Com este tipo
de asma, você pode ter dificuldade em respirar e sofrer outros sintomas
de asma grave apenas nos dias em que você está no trabalho.
Muitas pessoas com este tipo de asma sofrem com nariz escorrendo,
congestão, irritação nos olhos ou tosse, em vez de o chiado no peito
típico da doença. Alguns trabalhos comuns que estão associados com a
asma ocupacional incluem criadores de animais e veterinários,
agricultores, cabeleireiros, enfermeiros, pintores e marceneiros.
Asma: entenda a doença respiratória que causa dificuldade para respirar
Asma noturna
Asma noturna é um tipo comum da doença. Se você tem asma grave, as
chances de sofrer uma crise são muito mais elevadas durante o sono,
porque a asma é fortemente influenciada pelo ritmo circadiano (ciclo
biológico que regula as funções do nosso corpo, geralmente de acordo com
a luz do sol). Acredita-se que a asma noturna acontece devido ao
aumento da exposição aos alérgenos, ao resfriamento das vias aéreas, a
posição reclinada ou até mesmo pelas secreções hormonais.
Se você tem asma grave, observe se seus sintomas pioram quando a noite
avança. Caso isso aconteça, procure um médico para descobrir as causas
das suas crises de asma e buscar o tratamento mais adequado.
Mudanças de temperatura
O choque de temperaturas é uma mudança bastante agressiva para quem tem
as vias respiratórias mais sensíveis. Além das crises de asma, é comum
haver piora de rinite ou tosse. A mudança do calor para o frio pode
desencadear uma resposta na mucosa brônquica que, por meio de estímulos
nos receptores nervosos de temperatura ou pela liberação de substâncias
alergênicas, pode desencadear uma crise.
Medicamentos
Medicamentos anti-inflamatórios não hormonais - como o ácido
acetilsalicílico, o diclofenaco e o ibuprofeno - podem desencadear
crises de asma. Isso acontece porque esses remédios inibem uma via de
inflamação, mas sobrecarregam outra, que tem forte relação com a crise
asmática em quem sofre da doença.
Condições de saúde que podem imitar asma
Uma variedade de doenças pode causar alguns dos mesmos sintomas da asma.
Por exemplo, a asma cardíaca é uma espécie de falha do coração em que
os sintomas podem imitar alguns dos presentes na asma regular. Algumas
anomalias nas cordas vocais podem provocar um chiado no peito que é
muitas vezes confundido com a asma.
A asma grave é uma doença que tem características genéticas. Pessoas com
casos de alergias na família tem uma predisposição genética para
desenvolver quadros alérgicos no geral, e o relacionado ao pulmão é a
asma.
Histórico de alergias
A asma grave é uma doença caracterizada pela presença de uma reação
exagerada das vias aéreas, ou seja, por um mecanismo de defesa
aumentado. Esse é o pano de fundo em outras alergias, desde
respiratórias até cutâneas. Dessa forma, uma pessoa que tenha algum tipo
de alergia tem uma maior predisposição a ter outros tipos, dentre eles a
asma, uma vez que seu corpo tende a reagir de forma excessiva aos
estímulos externos.
Obesidade
As pessoas com obesidade
tem maior risco de asma e asma grave. Isto ocorre porque a obesidade
desencadeia uma série de processos inflamatórios - e a asma nada mais é
do que um processo inflamatório em nossos brônquios. A obesidade é uma
"facilitadora" desse processo.
Baixo peso ao nascer e hábitos da gravidez
Os bebês filhos de mães fumantes tem menor peso, devido aos infartos que
o cigarro causa na placenta, dificultando a nutrição do bebê durante a
vida intrauterina. Apesar de alguma controvérsia, existe uma relação
entre baixo peso ao nascer e asma até os cinco anos de idade. Isso
acontece porque o pulmão só se forma plenamente no fim de gravidez.
Por isso o bebê prematuro tem mais risco de ter quadros inflamatórios
no pulmão. É importante ressaltar que só podemos dizer que uma criança é
asmática após os dois anos de vida. Antes disso ela é um bebê chiador.
Outros comportamentos durante a gestação aumentam o risco de o bebê ter
alergia, tais como dormir mal, transtorno de ansiedade e depressão.
Refluxo gastroesofágico
A doença do refluxo gastroesofágico
(DRGE) é uma condição na qual o conteúdo do estômago vaza em direção
contrária para o esôfago. Essa ação pode irritar o esôfago, causando
azia e outros sintomas. Se for aspirado, o conteúdo do refluxo
gastroesofágico pode ir parar dentro dos pulmões. Isso pode desencadear
uma inflamação e favorecer quadros como pneumonias, bronquites e asma.
As pessoas com asma grave apresentam sintomas quase que cronicamente,
com alguns episódios mais graves em determinados períodos. Na asma
grave, os ataques podem durar dias e podem se tornar perigosos se o
fluxo de ar estiver muito restrito.
Os sintomas incluem:
Tosse com ou sem produção de escarro (muco)
Repuxar a pele entre as costelas durante a respiração (retrações intercostais)
Deficiência respiratória que piora com exercício ou atividade.
Respiração ofegante que:
Vem em episódios com períodos intercalados sem sintomas
Pode ser pior à noite ou no início da manhã
Pode desaparecer por si mesma
Melhora quando se usa medicamentos que abrem as vias respiratórias (broncodilatadores)
Piora quando se inspira ar frio
Piora com exercício
Piora com azia (refluxo)
Em geral começa repentinamente.
Situações de emergência:
Lábios e rosto de cor azulada
Nível diminuído de agilidade, como sonolência grave ou confusão, durante um ataque de asma
Extrema dificuldade de respirar
Pulsação rápida
Ansiedade grave devido à deficiência respiratória
Sudorese.
Outros sintomas que podem ocorrer com essa doença:
Ataques graves de asma podem ser fatais. Ao perceber os sinais e
sintomas, converse com o médico, pois o tratamento precoce da asma pode
evitar uma lesão pulmonar e ajudar a manter o quadro estável, evitando
ataques graves. O médico poderá fazer as seguintes perguntas:
O que exatamente são os seus sintomas?
Quando você começou a perceber seus sintomas?
Quão grave são os seus sintomas?
Você tem problemas de respiração na maior parte do tempo ou apenas em determinadas situações?
Você tem alergias, como rinite ou dermatite atópica?
O que parece piorar os seus sintomas?
O que parece melhorar os seus sintomas?
Alguém na sua família tem asma ou outras alergias?
Você tem problemas crônicos de saúde?
Aqui estão algumas dicas que podem ajudar seu médico a fazer o diagnóstico:
Anote quaisquer sintomas que você está tendo, inclusive os
que podem parecer sem relação com o motivo pelo qual você agendou o
compromisso
Anote quando seus sintomas incomodam mais - por exemplo, se
os seus sintomas tendem a piorar em determinados momentos do dia,
durante determinadas épocas do ano ou quando você está exposto a outros
gatilhos
Anote informações pessoais importantes, incluindo qualquer estresse ou mudanças de vida recentes
Faça uma lista de todos os medicamentos, vitaminas e suplementos que você está tomando
Leve um membro da família ou amigo junto, se possível. Às
vezes pode ser difícil de recuperar todas as informações fornecidas a
você durante uma consulta. O acompanhante pode se lembrar de algo que
você perdeu ou esqueceu.
O principal para o diagnóstico de asma grave é a história do paciente e
os exames. Pacientes que têm crises esporádicas com melhora depois de um
tempo são suspeitos para asma, principalmente se tiverem outro tipo de
alergia. O médico também poderá pedir alguns exames para avaliar o
funcionamento dos pulmões.
Função pulmonar
No teste de função pulmonar, o paciente assopra em um tubo ligado a um
computador que vai medir a função dos pulmões. Se o paciente estiver
tendo uma crise de asma naquele momento, ele assopra no tubo uma
primeira vez, e novamente após usar um broncodilatador. O médico dará
instruções sobre como controlar a respiração corretamente. Se a função
pulmonar estiver alterada no primeiro resultado e estabilizada no
segundo, tem-se um diagnóstico de asma.
Entretanto, muitas vezes o asmático chega ao médico contando uma
história típica de asma, mas o exame dá normal, pois ele não está em
crise. Nesses casos, o médico pode solicitar a chamada broncoprovocação,
ou seja, expõe o paciente a um agente inflamatório em nível controlado e
observa. Se ele iniciar uma crise, é muito suspeito para a asma,
confirmando após o término do exame.
Espirometria
Esse teste avalia o estreitamento dos brônquios, verificando a
quantidade de ar que o paciente pode exalar depois de uma respiração
profunda e quão rápido a pessoa pode colocar o ar para fora. O exame de espirometria
se encontra dentro do exame de função pulmonar. Caso os pulmões não
estejam inspirando todo o ar que deveriam, é um sinal de que os pulmões
podem não estar funcionando bem.
Exames adicionais
Outros testes para diagnosticar a asma grave incluem:
Teste de óxido nítrico: embora pouco usado, esse teste mede a
quantidade do gás óxido nítrico que o paciente tem em sua respiração.
Quando as vias aéreas estão inflamadas um sinal de asma você pode ter
níveis maiores de óxido nítrico do que pessoas saudáveis
Exames de imagem: radiografia de tórax e tomografia
computadorizada (TC) dos pulmões e cavidades do nariz podem identificar
quaisquer anormalidades estruturais ou doenças que estejam causando ou
agravando problemas respiratórios
Gasometria arterial: a gasometria arterial mede o pH e os
níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue de uma artéria. Esse exame é
utilizado para verificar se os pulmões são capazes de mover o oxigênio
dos alvéolos para o sangue e remover o dióxido de carbono do sangue.
Converse com seu médico
É asma a causa mais provável dos meus problemas respiratórios?
Quais são as outras causas possíveis para os meus sintomas?
Que tipos de testes que eu preciso?
É a minha condição provavelmente temporária ou crônica?
Qual é o melhor tratamento?
Quais são as alternativas para a abordagem primária que você está sugerindo?
Eu tenho essas outras condições de saúde. Qual a melhor forma de gerenciá-las juntas?
Existem restrições que eu preciso seguir?
Existe uma alternativa genérica para o medicamento que você está me prescrevendo?
Há algum livro ou outro material impresso que eu posso levar para casa comigo? Quais sites você recomenda visitar?
Prevenção e controle são a chave para impedir que os ataques de asma grave comecem. Veja as linhas de tratamento para a asma:
Asma grave que não responde a medicamentos
Para casos de asma grave não controlada por medicamentos comumente
indicados, foi desenvolvido o omalizumabe, que é o primeiro e único
tratamento biotecnológico produzido a partir um anticorpo (IgE). É
indicado para casos graves de asma em adultos e crianças maiores de seis
anos com asma de difícil controle.
O omalizumabe diminui a resposta das células inflamatórias do pulmão,
fazendo com ele fique menos "estressado". Ele é aplicado em média a cada
15 ou 20 dias, e podem ser muito eficaz para os casos em que as
medicações não estão surtindo efeitos significativos. Ele também pode
ser associado aos corticoides inalatórios, mas não é uma regra.
No caso da asma grave, o tratamento com omalizumabe deve ser
considerado, uma vez que dificilmente os medicamentos padrão para
controlar as crises de asma normal serão 100% eficazes. Associando o
omalizumabe com um corticoides inalatórios, você garante o tratamento.
Medicamentos contínuos
Os medicamentos da asma mais adequados para o paciente dependem de uma
série de fatores, incluindo idade, sintomas, gatilhos de asma e o que
parece funcionar melhor para manter a doença sob controle. Os
medicamentos preventivos de controle em longo prazo reduzem a inflamação
nas vias aéreas, impedindo que os sintomas se iniciem. Os medicamentos
contínuos, geralmente tomados diariamente, são a base do tratamento da
asma. Eles incluem:
Corticosteroides inalados: essa classe de medicamentos
inclui fluticasona, budesonida, mometasona, ciclesonida, flunisolide,
beclometasona e outros. Pode ser necessário usar esses medicamentos
durante vários dias ou semanas antes que eles atinjam o seu máximo
benefício. Ao contrário de corticosteroides orais, esses medicamentos
têm um risco relativamente baixo de efeitos colaterais e são geralmente
seguros para uso contínuo, uma vez que agem diretamente nos pulmões, em
vez de passarem primeiro pela corrente sanguínea. As inalações são
feitas com inaladores portáteis, por meio de sprays ou em forma de pó –
esse último inalado por meio de um instrumento próprio. O tempo de ação
pode ser de quatro, 12 ou 24 horas, e o espaço entre as inalações varia
conforme esse intervalo. Mais de 95% dos casos de asma podem ser
controlados com o uso de corticoides
Modificadores de leucotrienos: são medicamentos orais,
incluindo o montelucaste, zafirlucast e zileuton. Eles podem ser
encontrados em forma de comprimidos, xaropes ou sachês. Eles interferem
no processo inflamatório dos pulmões, e raramente são usados de forma
isolada, sendo associado ao uso de corticoides. As doses e intervalos de
utilização variam conforme o caso e a associação de medicamentos que
está sendo feita
Beta-agonistas de longa duração: são medicamentos inaláveis,
e incluem salmeterol e formoterol. Sua função é abrir as vias aéreas –
ou seja, é um broncodilatador. Normalmente são usados em associação com
corticosteroides – chamados assim de inaladores de combinação. Esses
medicamentos não devem ser usados durante um ataque de asma
Teofilina: a teofilina funciona principalmente como
broncodilatador, mas possui efeito anti-inflamatório, sendo também
associada aos corticoides. O medicamento deve ser ministrado a cada 12
horas, e as doses também variam conforme o paciente.
Broncodilatadores
Se o paciente usa o broncodilatador várias vezes ao dia, é um sinal de
que a sua asma é grave, ou está descontrolada e precisa de outras
medicações. O maior risco de uma pessoa ter várias crises e usa apenas o
broncodilatador é mascarar uma crise de asma grave. Isso pode fazer com
que a pessoa subestime a intensidade do quadro, ignorando sua gravidade
e vindo a sofrer consequências alarmantes, como uma asfixia, pois o
broncodilatador somente pode não dar conta da crise. Pessoas que usam ou
usaram o broncodilatador mais do que três ou quatro vezes em um único
dia devem procurar um pronto socorro ou ligar para seu médico, a fim de
buscar formas de tratamento da doença como um todo, não apenas da crise.
É importante ressaltar que os broncodilatadores servem para aliviar uma
crise de asma, mas não tratam a doença. Durante uma crise de asma,
acontece o fechamento dos brônquios, impedindo a entrada de ar nos
pulmões. Os broncodilatadores servem justamente para relaxar essa
musculatura dos brônquios, permitindo que o ar entre nos pulmões
novamente. Essas medicações tem início de ação rápido, gerando um alívio
imediato do paciente. Há broncodilatadores de curta duração (de quatro a
seis horas de ação) e de longa duração (de 12 a 24 horas de ação), mas
nenhum desses é um tratamento preventivo, devendo ser associado aos
medicamentos.
Os broncodilatadores são usados conforme necessário para alívio rápido
dos sintomas durante um ataque de asma. Se você tem asma associada ao
exercício, pode ser que o médico indique usar o broncodilatador logo
antes de uma série. Os broncodilatadores são ministrados com um inalador
portátil ou um nebulizador, para que possam ser inalados por meio de
uma máscara ou um bocal.
Outros medicamentos
Os corticosteroides também podem ser ministrados em versão injetável,
sendo que a frequência será menor - por ser indicado para casos mais
graves ou conforme a indicação médica.
Se a asma é desencadeada ou agravada por agentes alérgenos, alguns
medicamentos para alergias (anti-histamínicos) podem ser indicados,
geralmente ministrados por spray oral e nasal.
Há também a termoplastia brônquica, usada para asma severa que não
melhora com corticosteroides inalados ou outros medicamentos para asma. A
termoplastia brônquica aquece o interior das vias aéreas nos pulmões
com ajuda de um eletrodo, reduzindo o músculo liso no interior das vias
aéreas. Isso limita a capacidade das vias aéreas de se contrair,
tornando a respiração mais fácil e possivelmente reduzindo os ataques de
asma.
Os objetivos prioritários do tratamento da asma grave são controlar os
sintomas e evitar internações. Por isso, a disciplina do paciente é
fundamental ao seguir o tratamento diário, o que ajudará a prevenir
complicações futuras. Tratar uma asma grave é completamente diferente de
tratar uma crise grave de asma. O não controle da doença levará o
paciente a inúmeras internações, menos qualidade de vida e sintomas
ainda mais severos.
Diminua o ritmo
O paciente deve fazer pausas entre as tarefas e evitar atividades que
pioram os sintomas. Uma lista diária de tarefas pode ajudar a evitar o
sobrecarregamento.
Busque apoio
Fóruns e grupos podem ser usados para trocar experiências sobre a asma
grave, além de ajudá-lo a se conectar com pessoas que enfrentam desafios
semelhantes. Se seu filho tem asma, tente concentrar a atenção nas
coisas que seu filho pode fazer, e não sobre as coisas que ele ou ela
não podem fazer. Envolver professores, enfermeiras escolares,
treinadores, amigos e parentes podem ajudar seu filho a controlar a
asma.
Tomar medidas para reduzir a exposição a fatores que pioram sintomas de
asma grave é uma parte fundamental do controle. Manter a casa sempre
limpa, evitar o acúmulo de poeira e deixar algumas atividades de lado
podem ajudar a prevenir uma crise.
Ter asma grave não significa que o paciente não pode se manter ativo –
mas o acompanhamento deve ser redobrado. Inclusive, a atividade pode
prevenir ataques de asma e fortalecer coração e pulmões. Além disso, os
exercícios ajudam no controle do peso, que podem piorar um ataque de
asma.
Controle as doenças relacionadas
Alergias e a doença do refluxo gastroesofágico podem provocar ataques de
asma. Se esse for o caso, é importante tratar esses problemas antes de
tratar a asma.
Exercícios respiratórios
Algumas posições podem ajudar no alívio das crises respiratórias de asma grave:
Na posição sentada, com os cotovelos apoiados nas pernas, assumir uma posição relaxada, com a inclinação do tronco para frente
Em pé, inclinar o tronco para frente e apoiar o peso sobre suas mãos para alívio do cansaço
Sentada e com a inclinação do tronco para a frente, apoiar-se sobre um travesseiro para relaxar e aliviar o cansaço.
Atitudes que devem ser evitadas pelo paciente asma grave
O acesso a informações e remédios nem sempre se traduzem no tratamento
correto da asma grave. Muitas pessoas desconsideram os perigos dessa
doença por achá-la comum e mantém atitudes arriscadas, como:
Tratar apenas as crises: se as crises são recorrentes, este é
um sinal importante de não controle da doença, com risco de
hospitalizações e eventos mais graves
Fazer o tratamento apenas no pronto-socorro: recorrer ao
pronto-socorro para tratar as crises da doença, passando por diferentes
plantonistas, sem ter o acompanhamento de um único médico dificulta o
tratamento adequado
Não dar continuidade correta ao tratamento: no caso de asma
em crianças, estima-se que menos da metade das prescrições sejam
seguidas de forma adequada pelos pais, expondo os pacientes a crises
agudas de asma e sintomas persistentes
Dar atenção à asma somente no inverno: há dicas para lidar
melhor com a doença durante o período seco do inverno, mas deve-se
controlar a asma o ano todo.
Não há cura para asma grave, embora os sintomas às vezes melhorem ao
longo do tempo. Com autogerenciamento e tratamento apropriados, a
maioria das pessoas com asma pode levar uma vida normal.
A asma em si não pode ser prevenida, uma vez que é decorrente de uma
inflamação dos brônquios sem causa aparente. Entretanto, é possível
controlar as crises e ter uma qualidade de vida melhor:
Teste para alergias
Os testes para alergias respiratórias são feitos para detectar qual é o
agente causador da asma. Entram nessa lista ácaros, fungos, mofo, pelos
de animais, entre outros. Com o teste, é possível evitar a exposição ao
agente, prevenindo crises. Além disso, é comum que a asma esteja
associada a outras doenças alérgicas, como a rinite alérgica e o eczema.
Controlando os causadores dessas alergias é possível evitar crises
asmáticas.
É muito importante lembrar que a asma é uma doença crônica cujo
tratamento, nos casos de asma persistente, deve ser contínuo, mesmo que
não existam sintomas. Esse tratamento consiste no uso de corticoide
inalatório diariamente, em doses que deverão ser determinadas pelo
médico. O uso irregular dos medicamentos que controlam a asma é uma das
causas mais comuns de crises. O paciente não deve ter receio de usar a
medicação diária da asma.
Garanta as doses de vitamina D
A carência da vitamina D
está sendo relacionada a uma série de doenças do aparelho imunológico e
a asma é uma delas. O papel da vitamina D na importância do tratamento
da asma é recente. Estudos apontam que a deficiência do nutriente pode
aumentar os riscos de doenças pulmonares mais graves em crianças. De
qualquer forma, vale a pena ressaltar que a principal fonte de vitamina D
é a exposição solar, que dever ser feita por cerca de 15 minutos, três
vezes por semana.
Aposte na higiene
Mofo, pelos de animais, insetos, ácaros e poeira domiciliar devem ser
cuidadosamente eliminados. É importantíssimo que a roupa de cama seja
lavada semanalmente e secada ao sol. Também é recomendado o uso de
fronhas e capas de colchão antiácaros, que diminuem a possibilidade de
crises. Podem ser usados até produtos de limpeza que matam os ácaros,
mas nunca na presença do asmático. O carpete deve ser substituído por
outros tipos de piso, tapetes devem ser retirados do quarto e
umidificadores devem ser banidos, já que a umidade favorece o
aparecimento de alguns alérgenos.
Evite cheiros fortes
Velas, sprays aromatizadores e essências. Esses produtos podem até
deixar sua casa perfumada, mas são um perigo para quem tem asma. Cheiros
fortes e fumaça irritam as vias aéreas e podem desencadear crises de
asma. Se você é ou tem algum familiar asmático, elimine todos esses
produtos ou, pelo menos, opte por versões que não possuem cheiro.
Invista na vacina da gripe
Os vírus causadores de infecções respiratórias - entre os quais está o
vírus da gripe - também inflamam as vias aéreas e podem causar crises de
asma. Por isso, tomar a vacina da gripe pode ajudar a controlar a
doença. Além disso, lavar as mãos ou higienizá-las com álcool em gel
ajuda a prevenir-se contra o vírus.
Entre em forma
Existem algumas evidências de pessoas asmáticas com obesidade que
conseguiram controlar melhor a asma ao perder peso. Uma teoria é a de
que os pulmões de indivíduos com obesidade não se expandem como
deveriam, o que predispõe o estreitamento dos brônquios. A inflamação do
tecido adiposo causada pela obesidade também pode afetar a musculatura
das vias aéreas, aumentando a resposta inflamatória e estreitando os
canais da via aérea, o que levará a uma crise asmática. Outro ponto é
que os hormônios liberados pela gordura - como a leptina e a
adiponectina - podem agir na árvore brônquica causando os mesmos
efeitos.
Uma pessoa com asma pode e deve praticar esportes, mas, para isso, a
doença precisa estar controlada com o tratamento. Isso porque a
desidratação das vias aéreas, em função da sudorese e do aumento
constante do fluxo de ar, pode desencadear uma crise se a doença não
estiver controlada. Outro mecanismo que pode levar a uma crise é o da
variação de temperatura nas vias aéreas, principalmente se o ar é
inspirado pela boca e atinge as vias aéreas a uma temperatura mais baixa
- o que pode piorar se temperatura ambiente está mais baixa.
Por outro lado, manter uma boa hidratação e exercitar-se em ambiente
saudável e com temperatura adequada ajuda a tornar a prática esportiva
menos perigosa. Se mesmo assim ainda ocorrerem crises de asma, um
tratamento com broncodilatadores antecedendo a atividade física e
indicado pelo médico tende a controlar bem os sintomas.
Cuide do pet
Se o contato com animais não faz bem ao paciente, seria aconselhável não
tê-los em casa. Mas, se isso está fora de cogitação, pelo menos não
deixe que ele entre ou durma no seu quarto. Outra medida importante é
dar banho no animal pelo menos uma vez a cada duas semanas. O local em
que o pet permanece a maior parte do tempo deve ser limpo toda semana.
Agasalhe-se
É normal que, ao passar de um ambiente fechado para um externo, com ar
frio, o alérgico logo apresente reações do sistema respiratório, como
espirros e inchaço nasal. Por isso, o ideal é sempre sair de casa bem
agasalhado e com um cachecol ou lenço cobrindo o nariz para que o ar
gelado não entre em contato direto com ele.
Apague o cigarro
Cigarro é prejudicial para todas as pessoas, mas para o asmático ele
pode ser ainda mais nocivo. No caso das crianças, o fumo passivo também é
prejudicial. O fumo favorece a evolução de alergias respiratórias e
asma. A peculiaridade do inverno em relação ao seu uso é o fato de a
estação tornar ainda mais evidente essa piora, uma vez que a estação
costuma ser caracterizada pelo ar seco e pela poluição concentrada.
Fumantes que são alérgicos têm grandes chances de se tornarem futuros
portadores da asma, e a permanência do hábito fará com que as crises
fiquem cada vez mais fortes e mais difíceis de serem tratadas.
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